CENÁRIO
AUMENTO NO CONSUMO MUNDIAL DE ALIMENTOS E O ESGOTAMENTO DE NUTRIENTES
O aumento da população humana e a demanda por melhoria da qualidade de vida têm pressionado a produção crescente de alimentos e de fontes alternativas de energia de origem vegetal em substituição ao petróleo. O progresso da agricultura tem ocorrido com base no aumento da produtividade animal e de plantas por unidade de área, que só tem aplicação quando apenas a disponibilidade de terras é o fator limitante. Entretanto, a eficiência de uso dos recursos limitantes (inclui também a água, os fertilizantes e o petróleo) deve ser levada em consideração.
Esta visão equivocada está levando à excessiva utilização dos recursos naturais não renováveis e a poluição ambiental. As reservas de fosfato no mundo que podem ser exploradas a baixo custo são suficientes para 40 a 100 anos e as reservas mundiais de potássio são suficientes para 50 a 200 anos. A situação é pior para os micronutrientes, em que as reservas de cobre e zinco são suficientes para 60 anos; de manganês para 35 anos e de selênio para 55 anos (Herring & Fantel, 1993; Roberts & Stewart, 2002; Aaron, 2005).
Além da depleção das reservas naturais, o uso excessivo de fertilizantes pode contribuir para a contaminação do solo e dos cursos d'água com nitrato, acidificação do solo e emissões de dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e amônia para a atmosfera, sendo o CO2 e o N2O causadores do efeito estufa.
A importância da Agricultura Familiar e o biodiesel
A agricultura familiar não tem sido reconhecida e interpretada pelas instituições de pesquisa como importante, havendo insuficiente produção científica e pouco acúmulo de conhecimento neste campo. Pode-se estender esta observação à quase totalidade da agricultura brasileira, especialmente à pecuária de corte e de leite, que vive em regime de exclusão da agricultura moderna, de precisão, que ocupa as melhores terras quanto à topografia e fertilidade dos solos. A avaliação da eficiência de uso de insumos na agricultura (ração, adubos, etc.) permitirá verificar a real importância social e econômica da agricultura familiar e, também, melhorar os atuais índices técnicos de produtividade da agricultura e da pecuária brasileiras.
A produção de biodiesel tem despertado interesse do governo Brasileiro como fonte energética renovável em substituição parcial ao óleo diesel. O biodiesel tem como vantagem a economia no uso do petróleo e redução da emissão de gases de efeito estufa. O nosso país apresenta condições inigualáveis para o plantio de oleaginosas com propósito de produzir biodiesel, com profundas repercussões sociais, ambientais e econômicas.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda potencial do biodiesel em oito países do Mercosul saltará de 35 milhões de toneladas em 2010 para 134 milhões em 2020, com um incremento próximo de 300%. Os Estados Unidos se manterão como o principal consumidor, saltando de 15 milhões para 52 milhões de toneladas, mas percentualmente o grande incremento será mostrado pelo Brasil cujo potencial de consumo será de 20 milhões de toneladas em 2020, cerca de 900% acima dos dois milhões de toneladas, que poderá ser exportada por todos os países do Mercosul.
A agricultura familiar é constituída por pequenos e médios produtores e representa a maioria dos produtores rurais no Brasil. São cerca de 4,5 milhões de estabelecimentos, dos quais 50% estão no Nordeste. O segmento detém 20% das terras e é responsável por 30% da produção, chegando a 60% em alguns produtos como feijão, arroz, milho, hortaliças e mandioca.
Brasil: maior rebanho leiteiro do planeta
O Brasil possui a segunda maior população bovina, o maior rebanho comercial e foi o maior exportador mundial de carne bovina em 2003. A média é de 90 bovinos por produtor (60 bovinos por produtor em Minas Gerais), típico de agricultura familiar, com predominância de gado Zebuíno e seus mestiços, criado basicamente em pastagens, suplementado apenas com misturas minerais e, nos últimos anos, com sais nitrogenados de baixo consumo, devido ao menor custo de produção. O País apresenta o maior rebanho leiteiro do planeta e a sexta maior produção total de leite. Aproximadamente 65% da produção de leite em Minas Gerais - estado representativo da produção leiteira nacional - são obtidos por produtores com produção menor que 200 litros/dia. O sistema de produção de leite é, também, predominante sob pastejo e sem ou com uso limitado de ração concentrada e com predominância de produtores da agricultura familiar.
Produtividade de grãos no Brasil
A produtividade média de grãos de milho e soja no Brasil é de 2.800 e 2.400 kg/ha, respectivamente, e as mais altas produtividades comerciais são de 11.000 e 5.000 kg/ha, respectivamente.
Existe grande diferença entre estes índices reais de produção nos trópicos e aqueles índices almejados pelos pesquisadores e pela indústria de insumos, de processamento, de exportação e de comercialização a varejo, que só são viáveis em países de clima temperado ou em grandes propriedades.
A agricultura prevalente no território nacional tem sido caracterizada como sendo de baixa adoção de tecnologias e de insumos e com baixa produtividade, sendo muitas vezes discriminada e considerada agricultura do passado e em fase de extinção, com a consolidação da agricultura de alta tecnologia. O entendimento dos modelos de saturação cinética para explicar as respostas biológicas aos nutrientes vem reforçar a sustentabilidade e viabilidade da agricultura na produção de alimentos em uma nova era de escassez de recursos naturais não renováveis nas décadas vindouras.
ATENÇÃO: HÁ UM NOVO CONSUMIDOR À VISTA
A questão de adotar ações sustentáveis atende a um novo padrão de consumo e esse novo padrão está fazendo surgir um novo perfil de consumidor, mais consciente com o meio ambiente no qual ele se insere.
Pesquisa recente feita pelo Grupo HAVAS revelou que:
• 94% dos brasileiros recomendam enfaticamente aos amigos produtos de empresas com iniciativas sustentáveis.
• 84% acreditam que têm o poder de fazer com que as organizações se comportem com mais responsabilidade.
• 86% estão dispostos a recompensar empresas que possuem ações sustentáveis
• 80% estão dispostos a punir as companhias irresponsáveis.